Os Filhos do Rock

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Re: Os Filhos do Rock

Mensagem por Vtv em Qui 26 Dez 2013 - 23:36

Que a série teria de sair dos domingos era uma evidência. Mas atirar um produto destes para o latenight parece-me um radicalismo insensato. Merecia uma hipótese dum horário mais condigno nas noites de sábado.

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Re: Os Filhos do Rock

Mensagem por Paulo Andrade em Sex 27 Dez 2013 - 0:20

Evidente era que a série nunca deveria ter estreado nesta altura do ano e nunca deveria ter ido para os domingos que como já disse mais parece um Cemitério, onde a RTP joga séries e programas para morrer só para dizer que cumpre certo serviço público.

Enviar esta série para a meia-noite é apenas mais uma amostra do quanto foram negligentes e continuam sendo neste caso!

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Re: Os Filhos do Rock

Mensagem por Jnpc em Sex 21 Fev 2014 - 16:02

NTV escreveu:Ivo Canelas: "A insegurança faz parte de quem sou"

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Na série Os Filhos do Rock, da RTP1, ele é o radialista Xavier e o porta-voz da revolução musical dos anos 80. À conversa num estúdio de rádio e sem fugir às perguntas, Ivo Canelas viajou até aos dias em que ouvia António Variações e Jorge Palma, cantava na sua banda Cosmic Joke e era um rapaz curioso no conservatório de teatro. Aos 40 anos, revela-se um artista inseguro mas apaixonado, sem preconceitos com as novelas. E diz que tem um sonho por cumprir: ganhar uma medalha após correr 80 quilómetros.

Viajemos no tempo. Rui Veloso, pai do rock português, UHF, António Variações ou Jorge Palma. Qual destes artistas, que revolucionaram a música em Portugal, seguiu e marcou o seu crescimento?

Sem dúvida o António Variações e o Jorge Palma. Os dois tiveram um impacto muito grande em mim. Lembro-me do Jorge Palma porque em miúdo ouvia músicas dele que eram utilizadas como banda sonora de desenhos animados. A música Na Terra dos Sonhos, por exemplo...

De que forma o surgimento do rock português o moldou e influenciou?

Para ser sincero, em miúdo fui mais contaminado pela cultura norte-americana. Descobri o rock português mais tarde, mas posso dizer que o Jorge Palma me marcou pela poesia e possibilidade de nos mostrar quão interessante a nossa língua pode ser quando é cantada. Na altura, dizia-se que não o era e ele provou que não só era como a língua portuguesa poderia ser sonante.

Na década de 1980, o país não só assistiu ao surgimento de bandas e artistas que se tornaram ícones nacionais como também foram muitos os jovens que se renderam às guitarras e aos microfones. Teve alguma banda?

Sim, tive. Era uma banda que se chamava Cosmic Joke. Em português significa isso mesmo, piada cósmica. [gargalhadas]Eu tinha 20 anos.

Fazia brilharetes a tocar algum instrumento?

Não, eu cantava [risos]! Mas a banda não durou muito tempo. Foram apenas uns meses, nem chegou a um ano.

É um dos atores da série de época Os Filhos do Rock, em exibição na RTP1, que revisita os anos de ouro do rock em Portugal. O que o levou a abraçar este projeto televisivo?

Gosto muito de trabalhar com o Pedro Varela porque gosto da forma como ele realiza e escreve. Quanto ao projeto em si, achei-o interessante, não pelo lado nostálgico, mas por poder revisitar um período de uma energia muito especial.

Interpreta Xavier Bastos, um radialista e porta-voz da revolução musical. Como se preparou para criar esta personagem?

O Xavier nasce de uma mistura de influências. O locutor Luís Filipe Barros foi sem dúvida uma inspiração. Ele partilhou comigo imensas histórias e li o livro dele. António Sérgio, que já morreu, também foi uma inspiração. Acima de tudo, houve uma inspiração no espírito de modernidade de alguns radialistas portugueses, que trouxeram música de fora e tentaram divulgar e promover o rock em português. Esta não é uma personagem real, mas inspirada em personagens reais.

O que foi mais difícil construir no Xavier?

[pausa] É uma boa pergunta. Não sei. Foi claro desde o primeiro momento que existia instabilidade nesta personagem... É uma daquelas personagens que estão bem-dispostas às 14.00, mas já não o estão às 02.00. Mas, acima de tudo, marcou-me perceber a importância que os programas de rádio tinham. Havia um lado quase religioso de a determinada hora toda a gente ir para casa só para ouvir rádio. E eu não tinha consciência, por exemplo, de certos fenómenos... Por exemplo, Almada continua a ser, até hoje, um foco de nascimento de bandas de rock.

Está satisfeito com o resultado da série?

Em termos de conceito? Sim, corresponde absolutamente às minhas expectativas. O Pedro Varela se propôs fazer é aquilo que está a acontecer. Dentro das limitações orçamentais e temporais, estamos a fazer pequenos milagres diários e a conseguir manter uma qualidade que acho que é acima da média.

Ao terceiro episódio a RTP mudou o horário da série, passando a transmiti-la aos sábados à meia-noite e não aos domingos em horário nobre, às 21.30. Como viu a mudança de horário?

Acho sempre preferível manter-se um horário. Se a série é dirigida para um horário da meia-noite ou das oito da noite, isso é uma decisão do canal. Por outro lado, com a RTP Play e a Meo quem quer mesmo ver a série põe a gravar.

Nas duas primeiras emissões (exibidas aos domingos), Os Filhos do Rock conquistou 322 mil espectadores, enquanto nas últimas oito emissões (exibidas aos sábados) obteve 203 mil espectadores. Acha que a mudança do horário atirou a série para estes números?

O horário é algo que tem, se calhar, de ser planeado desde o início. Há alterações que criam instabilidades. Mudar o horário cria sempre instabilidade.

Foi o horário tardio que afastou o público?

Não sei, não tinha conhecimento destes números. Espero que tenha sido por causa da alteração do horário e não em relação ao produto.

Na sua opinião, qual deveria ter sido o horário reservado para a série?

É uma série ousada para um canal generalista. Se fosse no cabo, talvez... O horário que foi escolhido nos primeiros episódios era melhor. A minha avó materna, pelo menos, preferia ao domingo. [risos] Ela via a série.

No conjunto das dez emissões (sábado e domingo), a série conquistou 2,3% de rating e 6,37% de share, e um total de 226 mil espectadores. Estava à espera destes números?

Os números não me dizem grande coisa. Não tenho números comparativos.

É atento às audiências?

Sou q.b. Este é um canal público e, portanto, a competição não é equilibrada com um canal privado.

Acha que algo falhou e que possa ter causado o desprendimento do público?

Não. Além da mudança de horário, não. Não sei fazer essa análise.

Os Filhos do Rock aborda várias temáticas que ultrapassam o universo da música que marcou os anos 1980. Entre outras, o alcoolismo, o aborto. Como vê o tratamento destes assuntos?

Os assuntos são temas que do ponto de vista dramático são interessantes. Gosto quando as temáticas são maduras. Nesta série são maduras q.b. Há um compromisso entre o real e a ficção. As coisas são tratadas q.b.

A série também é apimentada com palavrões. Como foi fazer essa gestão?

As asneiras fazem parte da cultura de todos os povos. Nós fomos ao limite das asneiras, tivemos algum cuidado.

A RTP tem exibido várias séries de época, entre outras, Uma Família Açoriana, Depois do Adeus, cumprindo a sua função de serviço público. Mas a verdade é que a avaliar pelos números das audiências os portugueses não se deixam seduzir por produtos de época...

Não sei responder a isso. Há o fator divulgação e propaganda que ao nível RTP versus outros canais não é muito forte. Tenho dificuldade em fazer raciocínios muito generalistas. Acho que varia muito de projeto para projeto... Se soubéssemos o que o espectador quer, só fazíamos sucessos! Eu acho que quando os projetos têm valor há sempre interesse.

Na RTP1 participou na minissérie Perdidamente Florbela, e na série Liberdade 21, entre outras. É o formato com que mais se identifica em televisão?

É um formato que permite mais tempo e um rigor maior. Não é o tempo ideal, mas, sim, o formato de série e filme oferece mais tempo do que uma novela.

Ia falar-lhe nisso. Nunca o vimos numa novela...

Já fiz séries anoveladas [risos]! Lembro-me por exemplo do Olá Pai, na TVI.

Prefere vender a "alma ao diabo" do que fazer uma novela?

Essa é uma pergunta que me fazem recorrentemente. Aqui, em Portugal, parece que há uma coisa qualquer com as novelas que eu não percebo... E até chega a ser giro. [sorri] No Brasil, o ator faz novelas e filmes e está tudo bem, não tem mal. Aqui, por qualquer razão, parece que há mal... Parece que se é dos bons ou dos maus consoante se faz ou não novelas.

Sente que é visto como um do clã dos "maus" porque não as faz?

Acho que não [risos]! É uma não questão. É um produto como outro qualquer, que tem as condicionantes que têm outros produtos.

Mas gosta ou não de fazer novelas?

Não há tempo, caraças! É a tal questão do tempo...Tens de fazer 40 minutos num dia e isso são dezenas de cenas. É muito difícil...

Então, diz-me que não gosta de novelas porque são feitas a correr?

Não gosto do tempo que o projeto novela tem. Não gosto dessa velocidade. Acho difícil encontrar espaço para detalhes e subtilezas.

Acha que teria dificuldade em adaptar-se a uma novela?

Não, acho que não. Fá-lo-ia como outra coisa qualquer.

Já foi convidado para fazer alguma?

Sim.

E fechou sempre a porta?

Como a minha personagem de Os Filhos do Rock diz: "Deixo sempre a porta encostada." [gargalhadas] Nunca se proporcionou. Já fiz séries com ritmos acelerados, sei bem o que isso é.

Durante anos, o ator Miguel Guilherme "fechou a porta" às novelas. A TVI ofereceu-lhe um contrato de exclusividade e nesse ano o ator participou em Doce Tentação. Se um canal lhe oferecesse um contrato de exclusividade mudava de ideias?

Eu nunca trabalhei mais do que dois meses, nem sei o que isso é. Nunca tive um contrato. Não consigo nem imaginar.

Não tem, portanto, preconceito em fazer novelas?

Não tenho preconceito nenhum em fazer novelas. Se as pessoas forem profissionais, não tenho preconceito nenhum.

O que o faz escolher um papel?

Para mim o que me faz escolher um papel é algo que varia muito entre as pessoas que estão no projeto e o realizador. Ensinaram-me que um guião deve ser lido sem estímulos externos, deve desligar-se a música, apagar as luzes e ficar por ali a lê-lo. Eu vejo muito se o meu batimento cardíaco se altera ou não.

Está a dizer que escolhe o papel em função do seu batimento cardíaco?

Sim, no sentido figurado. Há qualquer coisa que de repente acelera ou não... Esse aceleramento é sinal de que naquele momento o nosso corpo está a dizer-nos que é desafiante e interessante.

Que crítica faz à ficção nacional?

A minha crítica é de que se deve investir mais em argumentos. Deve procurar-se a profundidade narrativa dos argumentos.

Qual seria o projeto ideal para si em televisão?

O projeto ideal é aquele que é bem desenvolvido e em que há um conceito criativo.

Não tem nenhuma figura no seu imaginário que gostasse de interpretar no ecrã?

Não, não tenho. Cada personagem implica um desafio e acho que cabe a nós que somos atores encontrar e desenvolver o melhor.


"Decidi ser ator aos 19 anos. Aliás, foi um caminho natural"

Tem uma carreira sólida em teatro, televisão e cinema. Quando e como se apaixonou pela arte de representar?

Em miúdo eu já gostava de participar nos teatrinhos... Em total consciência, decidi ser ator por volta dos 19 anos. Aliás, não foi uma decisão. Foi um caminho natural. Não foi complicado para mim tomar essa decisão.

Porque não? Sempre desejou ser ator?

Eu gosto muito do caminho que se faz e que passa por perceber uma personagem, gosto de experimentar os vários "sapatos".

Quando tomou essa decisão, qual foi a reação da sua família?

Inicialmente houve alguma resistência mas isso foi algo natural pela instabilidade que a profissão acarretava. Quando perceberam que não se tratava de um devaneio, houve um apoio total e incondicional. Eu ainda considerei fazer o curso de Direito, mas percebi que estava a ser contaminado pelo universo da advocacia americana. Foi chocante para mim assistir ao desenvolver de um processo em tribunal, aquilo tudo desinteressou-me.

Tem memória de alguma peça ou momento da carreira em que finalmente conseguiu provar à família que queria ser ator para a vida?

Não, foi algo que aconteceu aos poucos. O meu processo de escola não foi fácil, desisti várias vezes.

Não?

Desisti um ou dois anos do conservatório. Tinha 18 anos, era muito novo. Em retrospectiva admito que hoje até tenho uma certa curiosidade, pois gostava de perceber o que teria acontecido se tivesse feito primeiro o curso de Direito e depois o conservatório.

Era um aluno curioso e rebelde?

Curioso? Sempre fui. Rebelde? Era bastante! No meio disto tudo, tive a sorte de me cruzar no último ano de conservatório com o ator José Wallenstein e isso foi uma lufada de ar fresco. Isso apaziguou-me.

Já pensou em desistir da carreira de ator?

Todos os dias! Não há dia que não pense nisso.

Porquê?

Por inseguranças. Há sempre uma altura do dia em que uma pessoa pensa: "Mas porque estou a fazer isto tudo outra vez?" E aí penso: "Ah, já sei! É porque gosto mesmo disto!"

É um ator inseguro?

Tem dias. Acho que olho sempre para as coisas perguntando-me se serei capaz de as fazer.

Essa insegurança dá-lhe muitas dores de cabeça?

Depende dos projetos. A insegurança faz parte de quem sou. Já me atormentou mais. Questiona-me. À medida que os anos passam ganhamos mais experiência e técnica. Vamo-nos fortalecendo. Mas esta é uma profissão de desgaste rápido.


"Gostava de ter uma oportunidade como a que teve o Diogo Morgado"

Tem uma carreira sólida em Portugal, mas tem investido na internacionalização. Desde 2008 que tenta conquistar um lugar nos EUA. Porque tomou esta opção?

Acima de tudo, Nova Iorque é uma cidade que me interessa do ponto de vista da representação pela enorme oferta que tem. Ali, é possível encontrar atores de todo o planeta, com um talento extraordinário e a mim ajuda-me muito a colocar as coisas em perspetiva. No sentido de que o grau de competição, talento, e a quantidade de pessoas são tão grandiosos... Veem-se pessoas tão poderosas a fazer papéis tão pequeninos e a lutar tanto para conseguir representar.

Mas mantém um agente lá durante o ano todo.

Sim. O objetivo é que apareçam propostas na área da televisão e cinema.

Quando pretende regressar a Nova Iorque?

Fui para Nova Iorque a primeira vez em 2008 e estive lá quatro anos. Mas agora não tenho previsão. Está tudo no ar.

Não tem propostas de trabalho por lá?

Está tudo ainda no ar.

No ano passado, Diogo Morgado protagonizou a série norte-americana A Bíblia, na qual encarnou Jesus Cristo. Gostava de ter a mesma oportunidade?

Ele foi a audições e ganhou. Se gostava de ter uma oportunidade daquelas? Obviamente que sim! O que eu gosto mais nesta profissão de ator é a diversidade de possibilidades que ela oferece e ter uma oportunidade dessas seria algo muito bom.

O ator Joaquim de Almeida foi também escolhido para gravar participações em várias séries norte-americana nomeadamente em Ossos (AXN), Vingança (Fox), Era uma vez (AXN White). Existe alguma série norte-americana na qual gostasse de poder participar?

Amava fazer um episódico do House of Cards, adoro essa série ou, então, na série Breaking Bad que têm personagens tão ricas. Amava, amava!

O que vê regularmente na TV?

Não vejo muita televisão regularmente.

Nem é atento aos blocos informativos?

Costumo passar pelos noticiários, mas ouço mais as notícias através da rádio. Posso dizer que me divirto muito a ver Dá-las, que passa no Canal Q, acho imensa graça. Tem cenas muito divertidas, adoro o genérico.

E no que toca a produtos estrangeiros?

Tenho seguido com atenção a série norte-americana Breaking Bad, e House of Cards. O House of Cards foi a última série que eu realmente amei. É uma série que reúne um elenco extraordinário e interessa-me saber mais sobre os novos meios. Tem uma maturidade e complexidade humanas que é muito interessante.

Participou em vários filmes portugueses entre os quais Arte de Roubar, Call Girl, Quinze Pontos na Alma, entre tantos outros. O cinema é o seu grande amor?

Não, não. Nas séries de televisão tem-se um tempo que não é possível ter em uma hora e meia de cinema. Ou seja, o que é fantástico é que nas séries uma personagem pode mostrar muito mais coisas do que aquilo que se pode revelar em uma hora e meia de cinema. Tanto faço teatro, como faria rádio. Representar é um amor. O meio não.

O que o seduz no cinema?

Poder ter a capacidade de mostrar o arco de uma personagem, mas contar uma boa história em hora e meia pode ser muito difícil. É como alguém dizia: "Escrever um livro é fácil, mas escrever uma cantiga de cinco minutos é que é difícil!". Talvez, por isso, é que se diz que é muito difícil adaptar-se livros para cinema de forma a que só lá esteja o essencial. Numa série, o essencial pode ser dilatado.

Acha que a televisão portuguesa deveria exibir mais cinema português?

A hegemonia norte-americana é sempre complicada...

Acha que se os canais, públicos e privados, transmitissem mais filmes portugueses isso ajudaria a aproximar os portugueses da Sétima Arte?

Não sei, depende dos filmes. Não é por se passar filmes em português que iria haver um apaziguamento. Há sempre surpresas muito grandes. Gosto de acreditar que se o produto for bem feito não tem que ser absolutamente popular para despertar um enorme interesse. Acho que é importante termos uma produção nacional que seja representada pelos canais, mas também deve haver o mérito próprio do produto. Não pode ser só os outros, neste casos refiro-me aos canais, a obrigar a ver coisas portuguesas.

Tem algum sonho que gostasse muito de ver tornar-se realidade?

Sim [gargalhadas]! Gostava de fazer uma ultra maratona e alcançar os 80 quilómetros. Gosto muito de correr. Agora voltei a fumar por culpa da série, mas já não fumava há um ano e meio... Há um silêncio qualquer que se atinge quando se corre, é um silêncio que é mental. E sente-se uma paz semelhante à que se sente quando se toca um instrumento de sopro. O corpo e a energia que tem desperta-me interesse. E a corrida é algo que é muito mágico. Eu não sou rápido, mas gosto de correr longas distâncias. E, sabe, eu fico sempre na linha final a ver as pessoas a chegarem à meta. Quem chora são os homens, as mulheres aguentam-se mais nas maratonas. O homem tem a força física, mas chegando à emoção, depois de descascada as forças, a mulher consegue ir buscar força à emoção.

Portanto, temos um ator que sonha ser campeão no final da meta?

Ah, sim, sim. Aliás, digo-lhe, a única medalha que tenho em casa é a da maratona.


"Eu voto, é importante"

Como vê o atual estado do país?

Eu tive um período fora do país em Nova Iorque, EUA, mas posso dizer que era assustador ouvir e ver as notícias na televisão. Vejo um país em dificuldades mas, ao mesmo tempo, gosto muito de acreditar que vamos superar esta crise. Tenho sempre esperança no futuro.

Há quem já tenha perdido a esperança e, por isso, deixou Portugal e partiu à procura de novas oportunidades no estrangeiro. Como vê o fenómeno da emigração?

Nós somos um povo de emigrantes, temos o mar à frente e já partimos por curiosidade, aventura ou necessidade. Vivemos tempos complicados. Na América, por exemplo, existem famílias a trabalhar em diferentes Estados porque não conseguem trabalhar no mesmo. Isso é bom? Não, não é. Cria imensa pressão na sociedade e na família. Nós temos de viver de acordo com os tempos, era bom se conseguíssemos mais do que sobreviver. Se ir lá para fora me revolta [faz pausa e reflete]? Acho que temos de fazer por sobreviver, cada geração tem o seu desafio, e nós temos um enorme nas mãos. Temos de o combater com brilho.

É um cidadão atento e ativo no que toca à política?

Não, não sou.

Porque não? Não reconhece credibilidade na classe política nacional?

Não a conheço o suficiente. No meu entender há, obviamente, pessoas com valor e outras com menos no mundo da política. Mas isso é algo que acontece em qualquer área.

Costuma exercer o direito ao voto?

Claro que sim. Votei quando se fez o referendo à despenalização do aborto em Portugal (2007). Eu voto, é importante votar. Somos nós que fazemos a nossa sociedade.

A indústria cinematográfica em Portugal também está a ser afetada pelos efeitos da crise. O que pensa desta situação?

É muito complicado. É muito complicado [suspira]. Vamos ver quanto tempo é que levamos a recuperar de tudo isto. A verdade é que nós nunca estivemos bem e, agora, é ainda pior. Por outro lado, temos de tentar encontrar lados positivos. Há uma nova geração de realizadores e atores que já surgem sem expectativas de apoios... Atenção, eu não digo que o Estado não deve de apoiar quem faz cinema, mas nós também temos de encontrar saídas criativas e contornar a dependência que existe em relação à entidade, neste caso, o Estado.

Que medidas é que acha que deveriam ser implementadas e que, na sua opinião, poderiam significar um impulso para esta indústria?

Eu acho, por exemplo, que o Estado deveria ajudar a esclarecer as leis do mecenato de forma a que facilitasse as produtoras a arranjar financiamento noutros lados. Aliás, essa medida poderia também trazer vantagens para as empresas. Repare-se: não havendo dependência do Estado impõe-se a necessidade de arranjar uma outra maneira para "furar" no mercado. Os brasileiros já resolveram essa situação há uns 20 anos através de uma clarificação destas leis do mecenato.

O filme Sete Pecados Rurais, realizado por Nicolau Breyner e protagonizado por João Paulo Rodrigues e Pedro Alves, levou 320 mil portugueses às salas de cinema. Acha que estamos a viver um momento de viragem e mudança em que o cinema português volta a ser encarado com credibilização?

A relação com o cinema é, na verdade, um problema mundial. Mas eu acho que - e agora volto a falar na série da RTP - houve um apaziguamento da língua portuguesa através do rock português. E isso foi feito pelas bandas que foram tocando em português. E, na minha opinião, as novelas também tiveram peso nisso. Nós vivemos durante anos e anos a ouvir o "brasileiro" e não o português.


"Os prémios são para esquecer"

Em 2008 foi distinguido , pela primeira vez, com o Globo de Ouro SIC na categoria de Melhor Ator de Cinema pelos filmes Mistério da Estrada de Sintra e Call Girl. Já em 2012 recebeu outro troféu como melhor Ator de Teatro na peça Amadeus. Gosta de receber prémios?

É gratificante receber os prémios. Mas, por outro lado, é bom esquecê-los. Os prémios são bons para esquecer, trazem uma falsa segurança.

É ambicioso?

Sou.

Está feliz com a carreira que tem construído?

Estou, mas não penso em termos de carreira, penso de projeto em projeto. Acho que não há ator nenhum deste país que não gostasse de ter maior oferta de possibilidades de coisas que se possa fazer. Mas julgo que estou no bom caminho.

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Re: Os Filhos do Rock

Mensagem por Jnpc em Sex 6 Jun 2014 - 14:27

Fantastic escreveu:«Os Filhos do Rock» chega ao fim este sábado

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É já amanhã, sábado, que a RTP1 transmite o último episódio da série "Os Filhos do Rock". Depois de 26 capítulos, 'Os Barões' e companhia despedem-se dos telespetadores.

O último capítulo passa-se em Outubro de 1986. Os Filhos do Rock chegam ao fim e Xavier prepara-se para apresentar o projecto que preparou nos últimos anos. João Pedro mostra a Beatriz as novas músicas. Pedro prepara-se para mudar finalmente de vida, aliás todos parecem ter mudado de alguma forma, ou não! Será este mais um princípio do fim?

Para ver, este sábado, no final de "Os Filhos do Rock".

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Re: Os Filhos do Rock

Mensagem por Jnpc em Qui 4 Jun 2015 - 3:18

Zapping escreveu:“Os Filhos do Rock” regressa à RTP1 com dois episódios inéditos

A série portuguesa “Os Filhos do Rock” está de regresso à antena da RTP1, com dois episódios inéditos.

Segundo a grelha de programação, esses dois episódios, que serão exibidos hoje, quarta-feira, e amanhã, quinta-feira, tratam-se de um making of da produção, mostrando o ambiente que se viveu entre a equipa durante a gravação da série de 26 episódios. Os dois episódios de making of agora divulgados representam, respetivamente, o Lado A e o Lado B e incluem entrevistas com o realizador e com os atores.

Hoje, às 00:51, e amanhã, às 01:20, a seguir ao “5 Para a Meia-Noite”.

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Re: Os Filhos do Rock

Mensagem por FLP em Qui 4 Jun 2015 - 4:06

De vez em quando passam-se e mandam uma coisa qq para o ar.. Outro dia foram 2 episódios  de A MAe Do Ministro que estavam esquecidos lá numa gaveta . Agora é isto. A serie passou ao lado de toda a gente porque a RTP limitou-se a emiti-la as três pancadas. Mas ya, para 0.5 de rt e 6 de shr está ótimo.

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Re: Os Filhos do Rock

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